"Criatividade, inovao e encantamento: a reinveno da escola" - Um artigo do palestrante Max Haetinger

17/01/2012
Futuro Eventos (Futuro Eventos)

Nos últimos anos, temos sido bombardeados por novos termos, novos olhares e novos valores na vida e na educação. Do marketing surgido nos anos de 1980 ao bulling nos dias de hoje, a educação e os educadores têm feito um esforço tremendo para atualizar-se e gerar novas saídas para um velho problema: a relação entre alunos, professores e o conhecimento.

Mas qual seria a saída verdadeira? Existe uma formula consagrada, que resolva nossas angústias frente ao quadro quase caótico do ensino-aprendizagem em muitos recantos deste mundo? Como promover uma escola que seja capaz de mudar e se transformar sem perder o conteúdo? E principalmente, como fazer tudo isto e manter os alunos focados e motivados no processo de seu desenvolvimento como individuo e de sua formação?

Acredito que o dilema que nos encontramos como ressalta sempre Edgar Moran em seus livros é CULTURAL!

Talvez porque em primeiro lugar, nós, adultos, tenhamos esquecido que educar é fundamentalmente um ato de interação e troca cultural, e não um simples processo de transmissão e acúmulo de conceitos e fórmulas, afinal, não queremos formar alunos “GOOGLE”. Sim! É desta forma que muitos jovens definem o colega de sala em que você pergunta e ele traz a resposta decorada. E saibam: o GOOGLE está cada vez mais rápido e eficiente, e a escola, se olharmos para os testes e provinhas que temos visto por aí, tem perdido muito terreno, está ficando para trás e muitas vezes desinteressantes aos nossos alunos.

Mas como se vence em um cenário desse? Pergunta-me um amigo diretor de uma escola de 1000 alunos. Max, como produzir novas formas de ensinar e aprender se somos escravos do conhecimento acumulado e das fórmulas e currículos entupidos de conceitos?

Vamos começar a olhar e refletir sobre as palavras do nosso título.

CRIATIVIDADE: esta palavra tem perseguido nosso dia a dia nos últimos trinta anos, mas o que ela pode realmente propor para a escola e para as relações alunos professores e conhecimento? Sem dúvida, a criatividade é uma das valências humanas mais importantes nesta era do conhecimento e da informação. Criatividade é o diferencial dos vencedores. Quem gera novas ideias é quem se destaca, não quem acumula informação, pois qualquer aparelho eletrônico hoje pode armazenar informação. A forma como usamos as informações acumuladas em nossa mente, em livros, DVDs, sites, redes sociais virtuais ou reais, mp3, etc., é o que nos diferencia e nos torna autênticos ou não. Por isto, a criatividade passa ser muito importante em nossa formação. Não basta acumular, é preciso criar para realmente se diferenciar das máquinas.

A criatividade vem de certa forma para substituir a capacidade de memorização no processo de ensino/aprendizagem. E não pensem que o pensar criativo é mágico ou um dom divino. Ele é fruto de muito esforço, trabalho duro, autonomia, expressão, diálogo, respeito mútuo e, principalmente, de uma escola mais vivencial, mais conectada com a realidade em que vivemos. Uma escola do jogo, das atividades lúdicas e da expressão, que esteja sempre se desafiando. Uma escola onde os alunos têm a possibilidade de vivenciar o que sentem necessidade, onde a tarefa começa no banco escolar, mas culmina e acaba na comunidade. Da reflexão para a ação, da ação para a expressão, da expressão para criação, e da criação nasce a nova sociedade da prosperidade e dos valores éticos correspondentes com o tempo em que vivemos.

"A criatividade ultrapassa o puro lazer e pode converter-se em aquisição de conhecimento quando se processa planejadamente. É um meio de apropriação e transformação da realidade, gerando prazer e conhecimento, de forma não exclusivas. Supõe uma relação do homem com o mundo, em que o alvo não é meramente o conhecimento do que existe, mas a exploração do existente para algo novo.” (BORDINI E AGUIAR,1993).

Sendo assim, espero que não haja dúvida com relação ao fato de que precisamos mudar a forma de propor o conhecimento e de interagir com ele, ou estaremos condenando nossos alunos a filas enormes de desemprego, à violência urbana e às drogas. Precisamos ajudar nossos alunos a formarem-se como seres criativos. Caso contrário, como profetiza alguns filmes que os jovens adoram (ex.: Exterminador do Futuro, Matrix e Avatar), seremos substituídos em maior grau pelas máquinas, que já conquistaram bastante espaço em nosso dia-a-dia. Se você que é professor pensa estar a salvo disso, e por muitos bons motivos escolhe repetir a sua aula sempre da mesma forma, lembre-se que os processos de EAD fazem isto com muito mais competência e ilustram, dão vida, e em muitos casos fazem do professor uma figura tão ou mais presente que vários colegas que se encontram frente a seus alunos.

A segunda palavra de nosso título é INOVAÇÃO. Inovar é hoje uma necessidade e não uma opção. Inovação está ligada à transformação que temos de realizar em nossos processos de aprendizagem, de gestão, financeiro, existencial, ou seja, nesse nosso mundo tão veloz e quase frenético, ou estamos sempre em atualização, inovando, ou ficamos para trás em instantes, desatualizados.

Vivemos em uma era em que as coisas se transformam rapidamente, em que o mundo está acessível a todos, em que um acontecimento no Japão pode mudar nossa vida aqui no Brasil. Uma época em que nossos jovens, através do computador e de outros muitos meios de se conectar com esse universo globalizado, mudam e transformam a sua forma de ser, fazer, ser e conviver rapidamente. Portanto, para estarmos com um discurso coerente e em condições de por em prática tudo o que significa EDUCAR, também precisamos nos adaptar e estarmos em constante evolução e transformação.

Na prática da sala de aula, antes de prepararmos cada dia a nossa aula, hoje devemos nos perguntar: - Não existe uma nova forma de abordarmos este conhecimento? Qual a melhor forma de trabalhar esse conteúdo com meus alunos aluno? E incluir aos nossos processos mídias, vídeos, filmes, áudios, fotos e pesquisas na WEB, tudo o que possa potencializar a abordagem e a construção do conhecimento. Ao prepararmos o nosso ano letivo, devemos pensar melhor na grade de conteúdo e o peso e valor de cada conteúdo, olhar para as especificidades culturais locais, propor projetos para elaborar alguns conteúdos, e principalmente incluir novos temas em sintonia com tempo presente. Lembrando que um novo tema não é falar de coisas de 10 anos atrás, é falar do agora, contextualizar o conhecimento e propor sempre a interação.

Na economia formal, a inovação é vista como única forma de salvação e reinvenção das empresas e dos serviços. Em minha opinião, na escola, a inovação é a única forma de mantermos os alunos presentes, e mais que presentes, aprendendo, pois neste século assistir não significa aprender, aprender é interagir. Mas, para interagirmos, os processos têm que ser inovadores e condizentes com a realidade de nossos educandos. A teoria da evolução de Charles Darwin nunca esteve tão presente entre nós. Colegas professores: ou evoluímos ou seremos extintos.

E nossa terceira palavra do título, também muito importante, é ENCANTAR. Não pensem que estamos falando apenas do sentido direto da palavra encantar ou encantamento. Sempre que me refiro a este termo, trato do sentido lúdico desta ação. Se buscarmos as definições formais, veremos que encantar é exercer influência mágica, fascinar, cativar pessoas ou situações, é provocar admiração e causar satisfação no outro. A isto que me refiro.

As definições descrevem uma ação cheia de valores fundamentais à educação. Vivemos em um mundo permeado de encantamento, as crianças deste cedo são encantadas pelos meios reais e virtuais que as cercam, do parquinho de diversões (pracinhas Hi-tec, vídeo games, internet, computador, câmeras digitais) aos passeios e conversas com amigos. Nossos alunos, sejam eles crianças, adolescentes ou adultos, todos estão sujeitos aos encantamentos midiáticos e reais. E nossas aulas estão carregando dentro delas estes encantamentos? Nosso discurso está encantando ou assustando?

Certa vez perguntou-me um professor de uma escola técnica: Max, mas o que é encantar na sala de aula? Como posso fazer isso? Parece ser fácil quando lhe escuto, mas na prática o que posso fazer?

Respondo agora a ele e a vocês, meus colegas: encantar em sala de aula é fazer aquilo que o aluno não espera, é surpreendê-lo, é fasciná-lo. Cabe ao educador realizar coisas novas, INOVAVAR e proporcionar e buscar a CRIATIVIDADE na relação de seus alunos com os temas e conteúdos. Com isso, a escola renova-se e ENCANTA, e nós, professores, podemos construir de verdade a geração do futuro, a geração que buscará novas soluções, novas ideias, novas atitudes e, principalmente, novos valores necessários diante dos grandes desafios com os quais temos nos deparado em nosso dia a dia.

Beijos e paz,




Max G. Haetinger é Mestre em Educação, Especialista em Criatividade, Tecnologias Aplicadas na Educação, Psicopedagogo, Palestrante e autor de vários livros.